Fiquei muito tempo em silêncio. Tanto tempo que meus pensamentos estavam adquirindo voz própria na tentativa de se expressarem. Tanto tempo que pensei que enlouqueceria. Eu, amarrada na camisa de força da impotência, no silêncio desesperado da tristeza. Entre um sorriso e outro mascarando lágrimas que não caem procurei viver. Ou seria sobreviver? Presente ausência. E os olhos de quem se acostumou a sofrer em silêncio.
Hoje não sofro mais, mas também não reclamo do que não cheguei a reclamar. Hoje não penso mais que não vai passar, porque já passou tem tempo. Só o silêncio me incomodou. E então a música nos fones de ouvido me acordou para a vida. E aqui estou eu.
É. Eu sobrevivi.